top of page

Autoestima

A autoestima refere-se à forma como avaliamos nosso próprio valor e competência. Embora seja um componente essencial da saúde mental, abordagens mais recentes sugerem que a autocompaixão pode ser um caminho mais estável e saudável para fortalecer a autoestima.

Kristin Neff, pesquisadora e referência no tema, afirma:
“A autoestima depende de julgamentos positivos sobre nós mesmos, enquanto a autocompaixão não exige que nos vejamos como melhores que os outros para nos sentirmos bem conosco.”

Dentro da psicologia clínica, tem-se percebido que a autocompaixão, composta por gentileza consigo mesmo, senso de humanidade comum e atenção plena, ajuda a construir uma autoestima mais resiliente, menos vulnerável a críticas externas e fracassos.

Fortalecer a autoestima, portanto, passa por reconhecer limites, acolher imperfeições e desenvolver uma relação interna baseada no cuidado, não na cobrança.

Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a autoestima é compreendida como o resultado das interpretações cognitivas que o indivíduo faz sobre si mesmo. Pessoas com baixa autoestima geralmente apresentam crenças centrais negativas, como “não sou bom o suficiente” ou “não sou digno de amor”, desenvolvidas a partir de experiências precoces significativas.

Segundo Judith Beck, um dos principais objetivos da TCC é identificar, questionar e reestruturar essas crenças disfuncionais, promovendo pensamentos mais realistas e equilibrados.

“As crenças centrais são como lentes pelas quais o indivíduo enxerga a si mesmo, os outros e o mundo.”
(Beck, J., 1997 – Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática)

A intervenção com foco na autoestima inclui:
Psicoeducação sobre pensamentos automáticos e distorções cognitivas;
Reestruturação cognitiva de crenças negativas sobre si;
Experimentações comportamentais para reforçar competências e validar novas percepções de valor pessoal;
Treino de habilidades sociais e assertividade, especialmente quando a baixa autoestima está ligada a padrões de submissão ou evitação social.

Mais recentemente, autores como David M. Clark e Adrian Wells também destacam o papel do processamento autorreferente negativo em transtornos ligados à autoestima, como depressão e transtornos de ansiedade.

A TCC, portanto, não busca inflar a autoestima de forma artificial, mas sim ajudar o indivíduo a construir uma autoimagem mais justa e funcional, baseada em evidências, autoaceitação e autonomia.

©2025 - Por Silvana Ventroni - Psicóloga

bottom of page