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Luto: Quando a dor precisa de espaço para ser sentida

A morte interrompe, silencia e transforma. O luto é esse processo profundo de adaptação que acontece quando perdemos alguém significativo. Embora universal, o luto é sempre uma experiência única, porque o vínculo perdido também era único.

Luto não é doença, é processo, um processo doloroso e triste.
No consultório, ouço muitos relatos de pessoas que sentem que “não estão reagindo como deveriam”. Mas não há um jeito certo de viver o luto. Ele pode se expressar por tristeza, raiva, culpa, saudade, apatia, ansiedade ou até mesmo alívio, e tudo isso é legítimo.

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) compreende o luto como um processo adaptativo que envolve pensamentos, emoções e comportamentos. Ela oferece ferramentas importantes para que a pessoa elabore a perda, compreenda seus sentimentos e encontre formas mais saudáveis de lidar com a dor.

Quando o luto se complica:
Embora o luto seja natural, ele pode se tornar mais difícil quando:
A perda foi súbita ou traumática.
Há sentimentos intensos de culpa ou autopunição.
A pessoa se isola de tudo e todos por muito tempo.
Surgem sintomas persistentes de depressão ou ansiedade.

Nesses casos, o acompanhamento psicológico é fundamental. A terapia ajuda a entender o impacto da perda e a construir, aos poucos, uma nova forma de se reconectar com a vida, sem esquecer quem partiu.

Viver o luto é honrar o amor vivido:
Não se trata de esquecer, e sim de aprender a lembrar com menos dor. Elaborar o luto é também reconhecer a importância do que foi vivido e permitir que a memória do outro encontre um lugar de afeto, não apenas de sofrimento.

Em TCC, não buscamos “curar” o luto, mas criar espaço para a dor ser acolhida, nomeada e ressignificada. Afinal, permitir-se sofrer é também uma forma de se amar.

Aqui está um trecho curto e significativo do livro O Cérebro de Luto: como a mente nos faz aprender com a dor e a perda, da autora Mary‑Frances O’Connor:
“Os ingredientes de nossas memórias são armazenados em muitas áreas do cérebro. Quando lembramos um acontecimento, esses ingredientes são misturados… Juntas, as memórias parecem‑nos uma experiência sintética de um acontecimento passado…”

Este trecho ilustra como as lembranças são reconstruídas no cérebro durante o luto, carregando emoções, sensações e significados que variam conforme o humor e o contexto emocional. É uma metáfora poderosa para entender como revivemos momentos importantes, e por que alguns vêm com mais intensidade ou melancolia, especialmente no processo de perda.

©2025 - Por Silvana Ventroni - Psicóloga

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